Dirigentes e representantes de cooperativas participaram nesta sexta-feira, 9 de agosto, no Centro de Formação Profissional Cooperativista, do módulo preparatório da Missão do ramo Agropecuário para o Vale do Silício, nos Estados Unidos. O encontro antecede a viagem da comitiva, que ocorrerá entre 9 e 13 de setembro. Oportunidade para sensibilizar os agentes do cooperativismo sobre o ecossistema de inovação. O módulo é a primeira etapa da Missão, que após a viagem aos Estados Unidos terá ainda um Seminário de Avaliação.

Em sua saudação inicial, o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, destacou a importância do ramo Agropecuário no crescimento do cooperativismo no Rio Grande do Sul. As cooperativas agro geraram 36,6 mil empregos diretos em 2018, o que representa 57,37% do número de empregados em todos os ramos do cooperativismo gaúcho. “Em um País em que a taxa de desemprego continua alta, principalmente em relação à mão de obra braçal, quando se tem agroindústria e commodities existe a necessidade desse tipo de mão de obra. Muitos brasileiros tem uma enorme dificuldade de serem absorvidos pelo mercado de trabalho, a não ser pelas cooperativas que demonstraram, mesmo diante de um cenário de recessão econômica, uma expansão de empregos no último ano”.

Os números oficiais da Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2019, ano-base 2018, demonstram um crescimento de 2 mil empregos diretos no setor em relação ao ano anterior. O ramo Agropecuário é responsável por 35% desse crescimento, com geração de 700 empregos a mais ao longo de 2018. Outro dado importante apresentado pelo presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS é o crescimento de 19,1% no faturamento das cooperativas agropecuárias, que em 2018 atingiram a cifra de R$ 31,7 bilhões, o que representa 66% do faturamento total do cooperativismo gaúcho no mesmo período.

“A inovação no agronegócio é extremamente importante sob o ponto de vista econômico e empresarial, e essa missão ao Vale do Silício com certeza é uma excelente oportunidade de representantes do ramo Agro gaúcho buscarem novas tecnologias e tendências para agregar valor e rentabilidade aos associados”, afirmou Vergilio Perius.

Foco no cooperado

A percepção do diretor executivo da FecoAgro/RS, Sérgio Luís Feltraco, é que a experiência dessa viagem internacional trará aos dirigentes e representantes de cooperativas uma visão mais ampla do que está acontecendo no grande centro de inovação e tecnologia do mundo. O dirigente lembra que é necessário buscar um equilíbrio entre o que há de mais moderno e inovador, sem esquecer de atender as necessidades básicas dos cooperados. “Um fator de inovação que nós construímos nos últimos anos, articulado com a CCGL e a FecoAgro/RS é a própria Rede Técnica Cooperativa. Outro padrão de geração de mudança é a aceleração a partir do Programa de Autogestão, através do qual as cooperativas podem ter melhor controle, com um painel de indicadores que auxiliam na tomada de decisões mais assertivas e de acordo com a necessidade de cada cooperativa e dos cooperados”, complementou Feltraco.

Escoop Agro

Dentro de uma visão de proporcionar novos modelos de qualificação e atender particularidades dos ramos do cooperativismo, a Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo – Escoop passou a oferecer soluções customizadas, unindo formação cooperativista e educação corporativa para associados, gestores e lideranças de ramos específicos. Dessa forma estão estruturados os programas Escoop Saúde, Escoop Agro, Escoop Cred e Escoop Infra. Consciente do seu papel de contribuir com a sustentabilidade das cooperativas, e alinhada a sua visão de ser referência no ensino e pesquisa voltada ao cooperativismo, a Escoop estrutura a abordagem de inovação, em 2019, para os ramos do cooperativismo: Saúde, Agropecuário, Crédito e Infraestrutura, com missões para o Vale do Silício.

“Vamos visitar um ecossistema todo pensado para a inovação, de forma que os participantes dessa missão vão poder verificar in loco por que as coisas acontecem lá e por que tudo o que acontece lá acaba impactando o mundo todo”, explica o diretor-geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo – Escoop, Mário De Conto. Alinhado a esse processo de busca constante de inovação, uma decisão importante do Conselho do Sescoop/RS estipula que pelo menos 10% do orçamento anual vai ter que ser utilizado para ações de inovação.

Estiveram presentes no evento presidentes, dirigentes e representantes de diversas cooperativas agropecuárias do Rio Grande do Sul, além do coordenador de Ensino, Pesquisa e Extensão da Escoop, José Máximo Daronco, o gerente de Formação Profissional do Sescoop/RS, Helio Loureiro de Oliveira, e os coodernadores de Graduação e Pós-Graduação da Escoop, Carlos Alberto Oliveira de Oliveira e Paola Londero, respectivamente.

Presidente da Cotrimaio, Silceu Roque Peccin Dalberto

A minha expectativa é muito grande quanto à esta viagem ao Vale do Silício, principalmente para buscar coisas novas que nós não temos aqui, ou que a gente lê ou escuta ou acessa pela internet hoje, poder comparar com os próprios olhos e trazer essas inovações para a nossa realidade, olhando para o que as cooperativas agropecuárias na sua grande maioria têm em seus 50 anos ou mais já.

Nós tivemos um começo num modelo de cooperativismo, então eu entendo que hoje nós precisamos inovar e crescer. Essa inovação veio através das máquinas na agricultura, na propriedade com o produtor e ela precisa vir para dentro das cooperativas como gestão e governança, podendo já visualizar um cooperativismo moderno, diferente, num mundo moderno, diferente do que se vive hoje, com informações de momento instantâneas. Isso quer dizer, buscar conhecimento, trazer junto à cooperativa, aos associados, e procurar cada vez mais entre as cooperativas também fazer um trabalho melhor de intercooperação, para que possamos enfrentar os problemas e buscar as soluções cada vez mais rápidas, com ganhos inclusive ao produtor que é a base de tudo dentro das suas cooperativas agropecuárias. O cooperado é o primeiro que precisa ter esse benefício e nós como dirigentes temos que ter essa visão, essa inovação, essa vontade, essa garra de correr atrás de tudo o que tem de moderno e de novo. O quanto antes chegue às nossas cooperativas, com certeza será o produtor que irá ganhar com isso e a sociedade de um modo geral. A expectativa é muito grande e me sinto muito feliz de estar presente com essa grande equipe que irá visitar o Vale do Silício.

Gerente de TI da Cotrijal, Luís Felipe Moraes Lopes

Nós estamos indo para um centro tecnológico global onde toda a inovação tem acontecido lá, além de outros polos do mundo. Na Cotrijal nós estamos criando um Comitê de Inovação, já temos alguns eventos na área de tecnologia e inovação que a gente está criando dentro do ambiente da Expodireto. A concepção é trazer novas ideias e novas possibilidades do que a gente pode implantar dentro da área de atuação da Cotrijal. A gente entende que ideia é uma coisa e inovação é uma outra. Inovação é quando a ideia tem rentabilidade e gera retorno para a cooperativa e para os cooperados. A nossa ideia é verificar o que há de tecnologias por lá, alguma coisa de inteligência artificial, internet das coisas, big data, todas essas questões que estão em ebulição no mercado atualmente, e que com as startups que têm lá a gente consiga trazer alguma coisa pré-pronta ou que se molde ao nosso modelo de negócios

Gerente Financeira e Administrativa da Cotribá, Ana Marlize Schreiner

A Cotribá está sempre muito aberta a essas inovações, a trazer soluções, a estar nesse mundo digital, nesse mundo novo que está aí, que não é tão novo assim. Na Cotribá já estamos também fazendo algumas coisas, tivemos um workshop interno no qual trouxemos 35 empresas de tecnologia para trazer soluções e para ver o que a gente pode aplicar dentro da Cooperativa. Nós estamos com uma grande expectativa de ir lá e buscar, ver o que nós podemos trazer para implementar dentro da Cooperativa, visando propiciar melhores soluções para os nossos associados e também trazer experiências de novos modelos de gestão para a Cooperativa.

Presidente da Coagrisol, José Luiz Leite dos Santos

A expectativa é muito grande, porque sair daqui de nossas cooperativas e ir buscar o que há de mais novo nos Estados Unidos, no Vale do Silício, nos instiga a estar a frente da cooperativa sempre tentando fazer o melhor. Automaticamente, essa imersão no Vale vai fazer com que nós tenhamos uma visão do que está vindo de tecnologia nova, o que está vindo de inovação para que nós como cooperativas sempre pensemos no nosso associado. O que nós podemos trazer de soluções para que lá no final agregue para o cooperado. O cooperativismo sempre vai pensar no que há de melhor, no que tem de mais moderno, o que tem de extraordinário para que a gente possa trazer para as nossas cooperativas e também investir naquele que é dono da cooperativa, o associado.

Pessoalmente, é uma oportunidade ímpar de buscar conhecimento. Eu sempre falo que o conhecimento é algo que temos sempre que estar correndo atrás, e que quanto mais a gente acha que sabe de uma coisa, a gente vê que não sabe nada e que precisamos estar dia a dia nos atualizando. Para nós diretores, integrantes das cooperativas do agronegócio vai ser de extrema importância buscarmos, nós vermos o que há de mais novo, porque o agronegócio precisa muito de tecnologia, infelizmente nós temos muito o que investir, muito que trazer para dentro das nossas tecnologias coisas novas que possam fazer com que as cooperativas tenham um ganho, e esse ganho é só com tecnologia e inovação.

Diretor Executivo da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Alexandre Angonezi

Na Cooperativa Vinícola Garibaldi temos a inovação elencada entre os nossos valores, definidos em Planejamento Estratégico, é um dos grande pilares do planejamento da Garibaldi. A Missão ao Vale do Silício vem em um momento oportuno, que vai nos trazer abertura de horizontes, confirmar ou não algumas expectativas que nós temos em relação à tecnologia, em relação ao mercado e ao comportamento da Cooperativa na sua gestão. Estou bem animado com a oportunidade e agradeço pela oportunidade de fazer parte desse grupo.

Diretor Administrativo e Financeiro da Cooperativa Santa Clara, Alexandre Guerra

A minha expectativa é no intuito de entender e ver como a gente pode se inserir de uma forma mais veloz para fazer parte dessa mesma onda, até porque nós entendemos que através da inteligência artificial é que nós vamos poder transformar as nossas organizações em organizações mais rentáveis e de futuro. Dentro do nosso planejamento nós temos uma série de metas, agora como é que eu faço para atingir isso em torno dessas novas ferramentas todas que existem. Como funciona uma startup para que eu possa trabalhar e transformar um problema em solução, transformar uma dificuldade em uma oportunidade.

Entendo que com esta viagem vamos poder estar nos inserindo e entendendo um pouco mais para que a gente possa transferir essa mesma cultura para os demais componentes da organização, para que nós possamos criar um grupo para trabalhar a questão da própria inteligência artificial, que é algo que já faz parte da economia global e que nós temos que inserir na nossa organização de uma forma mais veloz para podermos nos manter num mercado globalizado.

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