Na noite de ontem (13/09), os alunos do curso de graduação Gestão em Cooperativas da Escoop assistiram à exibição do documentário “Substantivo Feminino”, dirigido por Daniela Sallet e Juan Zapata. A atividade fez parte da disciplina de Educação Cooperativa, ministrada pela professora Rosane Zimmer. Participaram também os alunos da disciplina Vivências em Cooperativismo V – Gestão da Qualidade, ministrada pelo professor Fernando Dewes.

O objetivo da atividade, segundo a professora Rosane, é desenvolver reflexões em torno dos desafios e perspectivas da educação em tempos de liquidez em diferentes eixos.

“O eixo Mulher, recebeu recortes das tantas regulações pelas quais estas vivem no mundo e, em especial, nos casos brasileiro e gaúcho. Para aferir sobre as emancipações, a nutrição estética pela via do filme ‘Substantivo Feminino’ nos pareceu um exemplar singular, pois permitiu potencializar o protagonismo e empoderamento de mulheres que militaram a causa ambiental. Em tempos de tantas regulações, falar em emancipações, significa a promoção de alentos à causa humana, à causa educativa, uma inspiração ao cooperativismo. Tratou-se, portanto de uma noite onde o cinema documental foi muito além da abordagem genealógica, pois recolocou a pujança do ativismo na equidade de gênero. O debate da turma junto de Daniela Sallet e Alexandre de Freitas promoveram reflexões que perdurarão ao longo da disciplina”.

Substantivo Feminino é um longa-metragem documental que resgata a história de duas mulheres pioneiras e fundamentais para a militância ambiental no Rio Grande do Sul e no Brasil. Mais do que isso, a atuação de ambas teve inserção internacional no movimento em defesa do meio ambiente.

Integrantes de famílias tradicionais e com trânsito nos meios políticos e sociais, Giselda Castro e Magda Renner eram mães quando se depararam com causas que as mobilizaram para além dos limites domésticos. E não se calaram diante de ações que ameaçavam o Meio Ambiente, os animais e as pessoas. As ativistas começaram em 1964, promovendo ações de cidadania junto à população carente e desinformada na Ação Democrática Feminina Gaúcha (ADFG). Pela atuação de Giselda e Magda, a ADFG se tornou o braço brasileiro da Friends of the Earth (Amigos da Terra). A organização internacional de proteção ao Meio Ambiente tem representações em mais de 70 países. A partir de então, as duas percorreram o mundo em conferências internacionais, na ONU e no Banco Mundial. O documentário tem depoimentos de ativistas brasileiros e de estrangeiros que conviveram com Magda e Giselda nas mobilizações internacionais.

Após a exibição do documentário, a diretora Daniela Sallet contou sobre como o filme foi idealizado e como foi o trabalho de cinco anos de produção.

“Eu costumo dizer que esse não é um filme para grandes plateias e sim para plateias que estejam engajadas e com o coração aberto para ouvir e se inspirar e pensar no que cada um pode fazer para mobilizar quem está a sua volta”. Eu tiro o chapéu para as nossas protagonistas e para quem sai do conforto do seu lar para lutar em prol do coletivo. E o cooperativismo tem tudo a ver com isso, pois ele trabalha em conjunto pelo bem da coletividade e do desenvolvimento regional”.

O editor de arte do filme e monitor da Fundação Gaia, Alexandre Rates de Freitas, comentou sobre a surpresa de trabalhar no filme, a importância do documentário como componente histórico e sobre questões como a “atual crise de percepção da realidade”, mencionada por José Antônio Kroeff Lutzenberger, ambientalista brasileiro que participou ativamente na luta pela preservação ambiental, juntamente com Magda e Giselda.

“Me apaixonei pelo senso de liberdade das protagonistas. Uma das grandes pegadas desse filme é que os personagens não terminam como começaram. Elas se transformaram ao longo da trajetória, passaram por cima de suas próprias ideologias para lutar por uma causa maior e promover situações de diálogo”.

Após, um debate foi promovido abordando questões de gênero, formas de ecologismo, consumo consciente, políticas, dentre outras.

O documentário Substantivo Feminino recebeu, recentemente, Menção Honrosa na 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em São Paulo. Assista ao trailer:

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